O dono do Miss Universo admite estar “farto” e procura vender a organização do concurso no meio das polémicas.
Raul Rocha abordou o futuro do concurso internacional numa entrevista três dias depois de Fátima Bosch ter sido coroada Miss Universo 2025.
O presidente da Organização Miss Universo, Raul Rocha, afirmou que pretende vender a sua participação após semanas de controvérsia em torno do concurso internacional.
Na segunda-feira, 24 de novembro, Rocha falou com a jornalista mexicana Adela Micha sobre o concurso, realizado em Banguecoque a 21 de novembro, e sobre a sua resposta a várias alegações recentes de má conduta contra a organização. A dada altura da entrevista, conduzida em espanhol, Rocha esclareceu o seu papel enquanto presidente e detentor de 50% das ações do Miss Universo.
De seguida, observou que está “à procura de alguém a quem passar o testemunho”, acrescentando, em tradução livre: “Isto é como um teste, como uma corrida de estafetas. A quem passo o testemunho?”
Quando Micha lhe perguntou porque é que mudou de ideias desde que adquiriu o concurso, em janeiro de 2024, Rocha declarou: “É que estou farto. Estou farto de toda esta conversa. Não me dou bem com este tipo de coisas.”
Continuou lamentando o facto de, embora seja “o dono, o proprietário, o presidente” da organização, “toda a gente quer ter uma opinião” sobre o negócio.
“Querem vir dizer que decisões toma, como as toma, porque contrata pessoas, porque despede pessoas e porque contrata pessoas”, disse Rocha.
Rocha não respondeu ao pedido de comentário da revista PEOPLE.
Continuou referindo-se a Omar Harfouch, o músico que renunciou publicamente ao seu cargo na comissão de seleção a 18 de novembro, poucos dias antes do concurso. Harfouch alegou anteriormente que a Organização Miss Universo tinha formado um “júri improvisado” para escolher 30 finalistas antes mesmo de as participantes de 136 países subirem ao palco para a ronda preliminar.
O concurso refutou as alegações de Harfouch num comunicado divulgado logo após o anúncio. No mesmo dia, o jogador de futebol profissional Claude Makélélé anunciou que também se retirava do cargo de jurado, alegando motivos pessoais. A presidente do comité de seleção, a princesa Camilla di Borbone delle Due Sicilie, também se demitiu posteriormente.
Semanas antes, a 4 de novembro, a organização Miss Universo fez manchetes globais quando uma transmissão em direto mostrou um confronto acalorado entre o executivo do concurso, Nawat Itsaragrisil, e Fátima Bosch, que representou o México e acabou por ser coroada vencedora. Rocha anunciou prontamente várias sanções contra Itsaragrisil, incluindo a sua proibição de participar no concurso.
Após a demissão bombástica de Harfouch, uma candidata a Miss Universo — que pediu para permanecer anónima — disse à revista PEOPLE que os rumores sobre a seleção secreta das 30 finalistas foram “desoladores”.
“Muitas candidatas sacrificaram as suas vidas pessoais, deixaram os seus empregos e passaram um ano a preparar-se para este momento. Algumas de nós adoeceram, foram hospitalizadas ou lutaram contra a exaustão, dormindo apenas três ou quatro horas por noite”, disse a ex-candidata a Miss Universo antes do concurso.
“Fizemo-lo porque acreditávamos na integridade desta organização e na missão que nos disse defender”, continuou, acrescentando a sua gratidão pela disponibilidade de Harfouch para se pronunciar.
